Non finito é uma técnica de escultura que significa que a obra está inacabada. De origem italiana, significa literalmente "não terminado". As esculturas non finito parecem inacabadas porque o artista esculpe apenas parte do bloco, com a figura às vezes parecendo estar presa dentro do bloco de material. Foi introduzido por Donatello durante o Renascimento e também foi usado por Michelangelo, entre outros. As origens filosóficas da prática do non finito remontam à Antiguidade e às teorias de Platão. A filosofia platónica afirma que qualquer obra de arte, ou de qualquer outra natureza, jamais se assemelha completamente à sua contraparte celestial. O ato de deixar uma obra inacabada é, por vezes, uma homenagem neoplatónica a essa ideia. No caso dos antigos romanos, os artistas assinavam as suas obras com o verbo faciebat (terceira pessoa do singular do imperfeito do indicativo ativo de faciō). Esse verbo, seguido do nome do artista, o identificava como tal, mas indicava a obra como inacabada (non finito). Alguns artistas, contudo, assinavam as suas obras dessa forma mesmo quando estas já haviam sido refinadas ao máximo, como quando Michelangelo assinou a sua famosa escultura Pietá, a única escultura que ele assinou.
Referências
Leitura complementar Tononi, Fabio, “The Problem of the Unfinished and the Shaping of the Canon of Finiteness in the Italian Renaissance”, The Edgar Wind Journal (em inglês), Vol. 1 (2021), pp. 86–127. Tononi, Fabio, “Aesthetic Response to the Unfinished: Empathy, Imagination and Imitation Learning”, Aisthesis: Pratiche, linguaggi e saperi dell’estetico (em inglês), 13: 1 (2020), pp. 135–153.