As canetas emagrecedoras revolucionaram o tratamento da obesidade e agora começam a despertar o interesse da oncologia. Estudos recentes investigam se medicamentos como semaglutida e tirzepatida, conhecidos por seus efeitos na perda de peso e no controle metabólico, também poderiam contribuir para reduzir o risco de câncer de mama. Mas será que estamos diante de uma nova possibilidade de prevenção?A pergunta ganha relevância neste Outubro Rosa, especialmente porque a obesidade é um fator de risco conhecido para o câncer de mama após a menopausa. A relação envolve alterações hormonais, metabólicas e processos inflamatórios associados ao excesso de gordura corporal. Um estudo publicado em 2026 na revista científica JCO Oncology Practice, que analisou dados de mais de 100 mil mulheres com sobrepeso ou obesidade, encontrou aproximadamente 30% menos casos de câncer de mama entre aquelas que utilizavam medicamentos da classe GLP-1.Segundo os oncologistas Antonio Buzaid, diretor médico geral do Centro de Oncologia dos hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, e Jéssica Ribeiro Gomes, oncologista clínica e pós-graduada em Gestão de Negócios em Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado é importante porque levanta a possibilidade de um benefício adicional desses medicamentos, além do tratamento da obesidade e do diabetes.Os especialistas, entretanto, ressaltam que os resultados ainda não são definitivos. Como se trata de um estudo observacional, os pesquisadores identificaram uma associação, e não uma relação comprovada de causa e efeito. Isso significa que ainda não é possível afirmar que os medicamentos foram responsáveis pela menor ocorrência da doença.A hipótese, entretanto, abre uma nova frente de investigação. Afinal, se a obesidade pode contribuir para o desenvolvimento de determinados tumores, tratar a doença poderia também ajudar a reduzir esse risco?A resposta pode envolver mecanismos que vão além da balança.Buzaid e Jéssica explicam que a obesidade provoca alterações metabólicas e hormonais, além de favorecer um estado de inflamação crônica de baixo grau. Após a menopausa, essas alterações têm especial importância no desenvolvimento de tumores de mama com receptores hormonais positivos.Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, além de promoverem o emagrecimento, melhoram o controle da glicose e da insulina e podem reduzir processos inflamatórios relacionados à obesidade. Segundo os oncologistas, a hipótese investigada é que essas mudanças contribuam para criar um ambiente menos favorável ao desenvolvimento de tumores.Há indícios de que os efeitos possam ir além da perda de peso. Pesquisas observacionais que compararam o uso de agonistas de GLP-1 com a cirurgia bariátrica encontraram resultados semelhantes para alguns cânceres relacionados à obesidade, mesmo quando a perda de peso foi menor entre os usuários dos medicamentos.Na avaliação dos especialistas, esses achados levantam a possibilidade de benefícios metabólicos adicionais, mas ainda não permitem determinar se existe um efeito protetor direto dos medicamentos ou se os resultados estão relacionados a outros fatores.Outro ponto importante é a menopausa. Um estudo apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em 2026, encontrou uma ocorrência 16% menor de câncer de mama entre mulheres com obesidade e risco aumentado para a doença que utilizavam esses medicamentos. Na análise por estado menopausal, a associação foi observada apenas após a menopausa.Por outro lado, uma pesquisa publicada na revista JAMA Network Open, em 2024, não identificou redução estatisticamente significativa do câncer de mama após a menopausa entre usuários de GLP-1 em comparação com usuários de insulina.Para Buzaid e Jéssica, esses resultados mostram que ainda existem perguntas importantes sem resposta. Além de serem predominantemente retrospectivos, os estudos disponíveis apresentam períodos de acompanhamento relativamente curtos para avaliar o desenvolvimento de câncer, uma doença que pode levar anos para se manifestar.Por isso, serão necessárias pesquisas prospectivas, com acompanhamento de longo prazo, para esclarecer se existe realmente um efeito preventivo e se ele varia conforme a menopausa, a dose utilizada, a duração do tratamento ou a quantidade de peso perdido.Para as mulheres que já utilizam semaglutida ou tirzepatida por indicação médica, os resultados representam uma possibilidade interessante, mas não justificam mudanças na conduta atual. Os oncologistas orientam que os medicamentos continuem sendo utilizados conforme a recomendação dos profissionais responsáveis pelo tratamento da obesidade ou do diabetes.Da mesma forma, ainda não há evidências suficientes para recomendar o início desses medicamentos com o objetivo exclusivo de prevenir o câncer de mama.O Outubro Rosa é uma oportunidade para discutir não apenas o diagnóstico precoce, mas também os fatores que influenciam o risco da doença ao longo da vida. Nesse cenário, compreender a relação entre obesidade, metabolismo e câncer é cada vez mais importante.As canetas emagrecedoras já transformaram o tratamento da obesidade. Saber se também poderão contribuir para a prevenção do câncer de mama é uma pergunta que a ciência ainda precisa responder. Enquanto isso, uma certeza permanece: cuidar da obesidade é cuidar da saúde como um todo, inclusive de fatores associados ao risco de alguns tipos de câncer. Neste Outubro Rosa, o convite é olhar para si com atenção e sem julgamentos, conhecer o próprio corpo, observar possíveis alterações nas mamas e manter as consultas e os exames de rastreamento em dia, conforme a orientação médica. Afinal, prevenção também é uma forma de cuidado.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Canetas emagrecedoras podem mudar o futuro da prevenção do câncer de mama?
Canetas emagrecedoras podem mudar o futuro da prevenção do câncer de mama? · Imagem: Source: entretenimento.r7.com
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Estudos associam medicamentos usados no tratamento da obesidade a uma menor ocorrência de câncer de mama
Estudos associam medicamentos usados no tratamento da obesidade a uma menor ocorrência de câncer de mama · Imagem: Estudos associam medicamentos usados no tratamento da obesidade a uma menor ocorrência de câncer de mama Reprodução/Inteligência Artificial/ChatGPT
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Antonio Buzaid, oncologista: 'Os resultados são promissores, mas ainda não comprovam que as canetas emagrecedoras previnem o câncer de mama.'
Antonio Buzaid, oncologista: 'Os resultados são promissores, mas ainda não comprovam que as canetas emagrecedoras previnem o câncer de mama.' · Imagem: O oncologista Antonio Buzaid Reprodução/Arquivo Pessoal
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