Milena Teixeira

Cristiane Gomes, mãe de Ana Clara, está nos estúdios da TV Globo, assim como Marinete Silva, mãe de Marielle, que também acompanha Lula

Milena Teixeira

23/10/2026 21:18

Reprodução
A mãe de Ana Clara Gomes Machado, Cristiane Gomes da Silva, está nos estúdios da TV Globo nesta sexta-feira (23/10) para acompanhar o debate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ana Clara tinha 5 anos quando morreu, em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por um disparo enquanto brincava na rua, perto de casa, com o irmão de 2 anos, na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
2 imagens
1 de 2
Ana Clara tinha acabado de acordar e brincava na porta de casa com o irmão, de 2 anos, quando foi atingida.
Reprodução
2 de 2
Marielle Franco foi assassinada em 2018
Reprodução / Câmara Municipal do Rio de Janeiro
O caso voltou a repercutir nacionalmente após o debate entre Lula e Flávio, realizado no último domingo (18/10), na TV Band. Na ocasião, o presidente cobrou explicações do senador sobre sua atuação como advogado do cabo Bruno Dias Delaroli, integrante do 12º Batalhão da Polícia Militar à época e acusado de matar a menina com um tiro de fuzil.
Durante o confronto, Lula afirmou que Flávio assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que o policial fosse submetido a júri popular.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
“Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou o presidente.
Entenda o caso e atuação de Flávio
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo que matou Ana Clara partiu de um fuzil utilizado pelo cabo Bruno Dias Delaroli. A acusação sustenta que o agente atirou na direção de uma área residencial, assumindo o risco de atingir moradores.
A defesa do policial alegou que houve confronto armado. A investigação, porém, contestou essa versão. Uma perícia identificou vestígios de munição de calibre 7,62, compatível com o armamento do agente, mas não encontrou estojos de pistola que corroborassem a hipótese de troca de tiros.
Delaroli foi preso em flagrante após a morte da criança, mas responde ao processo em liberdade desde novembro de 2021, sob medidas cautelares. Até o momento, não há data marcada para o julgamento.
Em 2024, três anos após a morte, Flávio Bolsonaro passou a integrar oficialmente a defesa do policial. Na condição de advogado, assinou recurso no STJ para tentar evitar que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por crimes dolosos contra a vida. O STJ negou o pedido e manteve o júri popular. As movimentações da defesa, no entanto, ajudaram a prolongar o processo.
Mais de cinco anos depois da morte, o julgamento ainda não ocorreu. O caso de Ana Clara Gomes Machado não tem uma data definida para o julgamento popular, e o policial responde ao processo criminal em liberdade.
Quem Lula levou para o debate?
Como mostrou a coluna, Lula reuniu aliados experientes em debates políticos para acompanhá-lo no confronto.Entre os presentes estão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e o deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ).
O grupo conta ainda com Anielle Franco (PT-RJ), deputada eleita e ex-ministra da Igualdade Racial, e Marinete Silva, mãe da vereadora Marielle Franco.
A preparação do presidente também envolveu o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira; o marqueteiro Raul Rabelo; o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT); o senador eleito e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa; e o ex-ministro da Educação Camilo Santana.
A primeira-dama Janja da Silva e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, responsável pela agenda presidencial, também acompanham Lula nos estúdios da emissora.


