O autocuidado sempre fez parte da vida da coordenadora de vendas Lidiany Sales, de 46 anos. Por isso, no final de 2025, após identificar um nódulo na mama esquerda e procurar um médico rapidamente, a brasiliense descobriu um câncer de mama.“Quando confirmei o diagnóstico, o meu chão se abriu. Vieram muitas perguntas e, naquele momento, eu não tinha resposta para nenhuma delas”, conta Lidiany.Desde os 40 anos, a coordenadora de vendas faz exames de rotina anuais. No entanto, após sentir fadiga e dores pelo corpo, decidiu fazer um check-up extra em setembro de 2025. Entre a bateria de exames realizados, a mamografia voltou com um diagnóstico de BI-RADS 2 — indicação de alterações benignas, mas sem suspeita de câncer. Leia também Saúde“Preciso viver o agora”, diz psiquiatra que descobriu câncer de mama aos 45 SaúdeMulher descobre câncer de mama agressivo após ouvir que nódulo era hormonal SaúdeSem nódulo, mulher atribui cansaço à menopausa e descobre câncer de mama Saúde29% das brasileiras não sabem como se prevenir contra o câncer de mama Como Lidiany já tinha recebido resultados semelhantes antes, manteve sua rotina, mas decidiu marcar uma consulta com sua ginecologista. No intervalo, fez um autoexame e percebeu um nódulo na mama esquerda.A médica pediu um exame de ultrassom complementar para a investigação. Como Lidiany tinha uma viagem marcada, deixou para avaliar o resultado depois. Porém, durante o período longe de casa, sentiu a mama latejar, o que aumentou sua preocupação.Quando retornou, sua prioridade foi buscar os resultados do exame: dessa vez, o laudo mostrava uma nova classificação, BI-RADS 4. A alteração é considerada suspeita e há necessidade de investigação complementar.Após punção e biópsia recomendados pelo mastologista, em 20 de dezembro, veio o diagnóstico: carcinoma invasivo da mama, que provavelmente se iniciou nos canais de leite e se espalhou para um gânglio na axila esquerda. O tumor tinha baixo nível da proteína HER2 e se alimenta de hormônios para crescer.“Receber a notícia foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, porque, de repente, precisei lidar com muitos medos, incertezas e mudanças na rotina”, desabafa.6 imagensFechar modal.1 de 6Antes do diagnóstico de câncer de mamaArquivo pessoal2 de 6Durante o tratamentoArquivo pessoal3 de 6Durante o tratamentoArquivo pessoal4 de 6Lidiany, o marido e o filhoArquivo pessoal5 de 6Última quimioterapiaArquivo pessoal6 de 6Lidiany compartilha sua história para alertar outras mulheres sobre o autocuidadoArquivo pessoalComo se prevenir contra o câncer de mamaFaça mamografia de rotina a partir dos 40 anos.Tenha uma alimentação equilibrada e nutritiva.Faça exercícios físicos.Controle a quantidade de gordura corporal.Não fume e evite o álcool.Faça o autoexame.A amamentação é uma prática protetora.O coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta Ceilândia e Unique, Marcelo Uchôa, reforça que os exames de rastreamento e a atenção às mudanças do corpo precisam caminhar juntas.“Uma mamografia recente sem achado suspeito não significa que uma nova alteração deva ser ignorada. Quando surge um nódulo, uma mudança na pele ou no formato da mama, secreção pelo mamilo ou qualquer outro sinal diferente, é importante procurar avaliação médica. Dependendo do caso, exames complementares podem ser necessários”, explica.Os cuidados devem ser feitos ao longo do ano, mantendo consultas e exames em dia. “Quanto mais cedo uma alteração é investigada, mais rapidamente conseguimos chegar ao diagnóstico e definir a melhor conduta para cada caso”, acrescenta.Tratamento e as dificuldadesLidiany iniciou o tratamento em janeiro de 2026. Ela passou por quimioterapia, mastectomia bilateral com reconstrução e radioterapia. Agora, segue com hormonioterapia.A brasiliense conta que o processo não foi fácil, pois trouxe cansaço, perda de cabelo, mudanças físicas e períodos de maior fragilidade. Mesmo assim, ela tentou manter a rotina.“Tenho buscado encarar um dia de cada vez. Não vou dizer que é fácil, porque existem dias de cansaço, medo e fragilidade, mas também tenho vivido momentos de muita gratidão, fé e esperança. Aprendi a valorizar ainda mais a vida, minha família e as pequenas coisas”, conta.Apoio psicológico e alerta sobre a doençaPara Lidiany, o apoio psicológico é fundamental. Ela reforça a importância da ajuda emocional e diz que dividir sua história a ajuda a lidar melhor com o câncer.“No início, percebi que ainda não estava preparada emocionalmente para falar sobre o meu diagnóstico e tudo o que estava vivendo. Hoje, porém, reconheço a importância desse cuidado e entendo que a saúde emocional também precisa de atenção durante todo o processo”, destaca.Atualmente, ela conta sua história pelas redes sociais, fazendo um alerta sobre a doença e reforçando a importância do autocuidado, com exames e autoexames. “Consigo me expressar, dividir um pouco da minha jornada e, principalmente, falar sobre a prevenção e os cuidados com a saúde”, complementa.Lidiany ainda está vivendo a jornada do câncer mas diz se sentir mais confiante, levando o processo com leveza, fé e esperança, mas respeitando os dias difíceis.“Se compartilhar minha história puder ajudar outras mulheres a olharem com mais carinho para a própria saúde, tudo isso também ganha um propósito ainda maior”, conclui.














